Poucos moedores na boca. A pele queimada pelo sol escaldante. As poucas roupas que cobrem o corpo esburacadas pelo tempo. O olhar triste, sem vislumbre para além do horizonte. A mão estendida. " Ôoo sinhô, me dá uma moeda..."
Os vidros fechados respondem. Os rostos são manejados para outra direção.
A mulher acostumada olha para o além. O que terá amanhã para comer?
Uma moeda, sinhô. Uma moeda para encher o estomago. Uma moeda para apagar por alguns segundos a marginalização 'a que foi fadada. Uma moeda para ser humano de novo.
Diante daquela pobreza, daqueles joelhos marcados pela dor, do rosto queimado pelo sol, das roupas emputrecidas, virei o rosto.A minha pureza - limpeza- orgulho não suportava toda sujeira - miséria-humilhação do ser humano sentado naquilo que antes de ser uma calçada esburacada,era seu lar.
Desviei o olhar para o pior pesadelo. Desviei o olhar para o Real. Desviei o olhar de algo que eu sou responsavel. Desviei o olhar para não estender a mão. Desviei o olhar para poder seguir minha vida indiferentemente, como se nada tivesse acontecido.
Mal sabia que aquela cena já fazia parte de mim.
(palavras gravadas num papel enqto o onibus lotado sacolejava)



2 Comments:
o que sou e o que somos??? nossa carga de responsabilidade? as ulisões vistas em sonho não mais nos afeta. Podemos ter desviado o olhar, mas o mérito está na sensação de estarmos acordados e ver que a dormencia do mundo não faz parte de nós. Nós vemos a fome e vemos a necessidade!
sinta-se a vontade de voltar no meu blog qdo quiser...
bjão...
volmir
Minha cara foucaultiana, como sempre poética!!!! rsrs
Comentário bem pseudointelectual jornotiano esse né? hahahha
Depois eu faço um comentário mais SUM!!!
beijos
Van
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