sábado, fevereiro 11, 2006

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E, era um dia desses de greve estudantil. Dia nem de sol. Nem de chuva. Dia de brisa.
Ela. Menininha sonhadora despertara com sede de revolução. Vontade de fazer do mundo um lugar mais justo. Bonitinho assim.
Embalada pelo sonho universal, rumou ao lugar onde, no dia anterior, piquetes, megafones e palavras de ordem prometiam fim de reinados de tucanos, vitória da democracia, e, diga-se de passagem, uma certa coerção ideológica.
Mas, para sua surpresa, naquele dia de brisa, o reduto dos intelectuais jazia num silêncio perturbador. Poucos pés perambulavam. Todos sem rumo certo. Estariam os outros acampados em frente ao palácio do primeiro homem do estado? Até parece. Bons desenhos passavam na TV. Mas, não importa. As portas lacradas conspiravam contra todos traidores.
Já sem meios para a operação “mundo melhor”, a menina seguiu sem caminhos. Com nenhum motivo para correr contra os ponteiros, deixou que seus pés aproveitassem a delicadeza e despreocupação. Não corria. Apenas vagava.
Foi aí que viu.
Viu amarelos ipês em frente ao departamento daqueles que se debruçam sobre o passado. Embriagada de estupefação não conseguia pensar em nada além do amarelo feito em flor. Seus neurônios admirados ordenavam pés e olhos a marchar firmes na esteira da contemplação. Impediam que qualquer ruído, lembrança ou filosofia afugentasse a beleza secreta do segundo.
E, enquanto despreocupadamente levava as folhas do Instituto Butantã ao chão, a brisa sussurrava o quanto a menina perdera nos últimos anos.
Absorta em pensamentos, problemas, sonhos, planos, compromissos, ela não ouvira o canto dos passarinhos. Tampouco o dueto dos balanços misturados aos risos das crianças. Não sentira o perfume das flores. Não vira bromélias escorrendo por entre as arvores. Nem ipês amarelos brindando a FFLCH.
Não exalara a preciosidade dos segundos cuidadosamente planejados por Deus. Só para vê-la sorrir.
E, a menina com sonhos de mudar o mundo, revolucionou o seu olhar. De certa forma, o seu mundo.

6 Comments:

Anonymous Anônimo said...

q lindooooooooo maninhaaaaa !!!!!!!
amo vc d+++++
bjaooooooooooooooooooo

fevereiro 11, 2006 1:09 AM  
Anonymous Anônimo said...

oie..........
to passandu deixandu minha markinha
show de bola seu blog.
bjs passa no meu flog hien kero ve

fevereiro 12, 2006 5:16 PM  
Anonymous Anônimo said...

oiee
hum...ah...não entendi tudo mas...adoro ipês amarelos e maneira como vc pontua o texto...cheio de pontos finais..rs

bjin

fevereiro 13, 2006 12:18 AM  
Anonymous Anônimo said...

É, eu tb sou fã dos pontos finais. às vezes me pego escrevendo q nem vc. É mágico.

hauahauahuaha
e esse texto me lembrou o meu dos flamboyants... lembra???
principalmente a parte q diz q anos se passaram e a menina naum ouviu os passarinhos cantarem... eh...
bjooo flor amarela do ipê mais lindo!

fevereiro 14, 2006 9:11 AM  
Anonymous Anônimo said...

LINDO !!!

Talita, sou sua FÃ!
Quase choro com seus textos!

Passei por este encantamento no primeiro dia de horário de verão que fui pra faculdade. Eu não conseguia pensar em mais nada ...

Beijos
:**

fevereiro 16, 2006 9:44 PM  
Anonymous Anônimo said...

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março 02, 2007 4:48 AM  

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