Quando o sol de cada manhã é sempre o mesmo
Quem vê Dave Spritz (Nicolas Cage) como homem do tempo pode supor que a vida dele está entre as melhores. O sorriso de orelha a orelha. O olhar descansado de quem trabalha apenas duas horas por dia. O gordo salário. A fama. A lista de privilégios sonhada por todas pessoas é desfrutada por Spritz. Contudo, ele não é feliz.
Sua família não vai nada bem. Divorciado da mulher, Spritz não consegue construir um diálogo plausível com ninguém. Movido por uma inércia perturbardora, assiste com ações nada normais o desmoronamento das relações com quem mais ama.
Após um verdadeiro chacoalhão do pai, o apresentador da previsão do tempo percebe o abismo em que está entrando. Mas, acostumado a ter tudo pronto no teleprompter, ao invés de criar ou buscar as próprias soluções para os conflitos que vive, apenas copia as fórmulas pensadas por outros. Terapia coletiva com a mulher. Cursos de arco e flecha para aproximar-se da filha. Reuniões da empresa para retormar os laços com a família. Segue a risca um roteiro pré estabelecido pelo senso comum
Como muitos de nós, as vezes mesmo em medidas homeopáticas, Spritz é fruto de uma sociedade que preza pelo enlatado, pelo fast food. Uma sociedade que, como instrumento de controle, fabrica pensamentos prontos, fáceis de ser consumidos:
Peça o número 3. Sua fome será saciada. Siga os 7 passos para o sucesso. Serás bem sucedido. Compre na esquina mais próxima o manual de sobrevivência. Você vai viver.
Acostumadas a buscar as soluções nas prateleiras, a humanidade pisoteia sua criatividade. E, nesta esteira, passa a levar a vida mediocremente. Sem alternativas, assume o discurso das entrelinhas do sistema:
Não seja você.
Seja apenas mais um produto feito em série.
É incômodo assistir as posturas de Spritz. Mas, desse incomodo é importante que a indagação fique - o quanto será que temos dele dentro de nós?



2 Comments:
gostei do blog =)))
eu sabia q vc escrevia bem mas nunca tinha comprovado hehe ;)
vc não vai mais escrever aqui mesmo...tem ctz?
bjo
eu tento ser um pouco menos robotizado - mas as vezes eu também sou atropelado pelos "programas" minuciosamente instalados na minha mente, pelo merchandising consumista.
mas continuo me esforçando...para continuar sendo normal!
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