terça-feira, janeiro 31, 2006

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Naquele dia redescobrira que de fato a vida é bela. Era grata por ser amiga-filha-serva do Criador. Sorrindo deixou as pálpebras penderem e encontrou o templo dos sonhos.
Horas depois, quando todo o resto do mundo dormia, despertou com uma dor sufocante contorcendo as entranhas. Fechou os olhos, fingindo indiferença. Mas, as vísceras gritavam.
Lentamente acendeu a luz do quarto. E a imagem do espelho emoldurado por conchinhas da praia do verão passado, assustou-a. A face, antes pardamente saudavel, tomara as cores pálidas de uma folha de papel. Os lábios brancos em cor exalavam agonia.
Sozinha tentou livrar-se da contorção muscular. Em vão. Toda vida do corpo parecia doloridamente querer esvair-se pelo umbigo. Com voz sôfrega gritou o pai. O herói que sempre a salvava dos pesadelos quando pequenininha.
Ele, desacostumado com choros noturnos - dada a quase madureza dos filhos -, acordou num sobressalto, monossilando "quefoi? que foi?" ao ritmo do bater rápido do coração.
Encontrou a filha de cachos desregrados em corpo de vivo-morto no corredor. Atentamente, o pai-herói seguiu as orientações da menina-moça dolorida.
E, ela pode então adormecer grata por não estar na metrópole em uma hora tão tão tão.
Dormiu feliz por não ter crescido tanto a ponto de não depender mais do cuidado e cafunés dos pais.


P.S. : Há algum tempo li que recém nascidos quando submetidos a dores, geralmente sofrem mais com estas quando se tornam gente grande. A protagonista nasceu prematura. Pequenininha. Pequenininha. A mãe conta que a segurava apenas com uma mão. Graças a finura dos braços, injetavam soro na veia da cabecinha. Com dois meses de vida sofreu uma cirurgia. Sim. Foi uma nenê chorona. Para salvá-la da morte, os médicos aplicaram dores menores. Por isso hoje ela é hiperbólicamente dolorida. Até para escrever...

domingo, janeiro 22, 2006

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Mais de uma da manhã, e os três barrigas rodeavam a mesa ingerindo H2O.Barriga-mor-pai. Barriga-emagrecidamãe.Barriga-iminente-filha.Desidratados graças as férias da massa polar atlantica ( mPa). E com isso pretexto para tecer causos. Pra variar.O Barriga-invisivel-filho desponta na cozinha com um ponto de interrogação nos olhos: "Acordados?". As panças já saciadas pelo líquido da vida languidamente se entregam aos lençóis. E na simplicidade dos momentos a alegria familiar é consturada. O amor entre consaguineos é demonstrado simplesinho assim.

sábado, janeiro 21, 2006

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Que dor. Sinto meus neurônios pularem aqui dentro. Renderam-se a um personal trainer? Pretendem criar músculos? Pulam por não ter nada para fazer? Ou cansados do caminho?Dentritos. Axônio. Bainha de Mielina. Sinapse. Enviar impulsos. Ordenar ações. Pensamentos. Reflexos. Dura rotina. Estafante até.
Como eu, enjoados da trivialidade.
Férias. Já organizei todos os armarios, gavetas, cadernos, estojos, bolsos, quartos de bagunça da casa. nada mais para quebrar o corriqueiro passar do tic-tac (porque não tac tic?).
Ai neuronios que pulam de um lado para o outro trombando com a estrutura craniana. Anador neles.

sábado, janeiro 14, 2006

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"Quanto mais deixamos que Deus assuma o controle sobre nós, mais autênticos nos tornamos - pois foi Ele quem nos fez. Ele inventou todas as diferentes pessoas que tencionávamos ser (...)
É quando me viro para Cristo e me rendo 'a sua personalidade que pela primeira vez começo ter minha própria e real personalidade." (C.S. Lewis)

quarta-feira, janeiro 11, 2006

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Tem hora que bate um desejo imenso de descobrir o amanhã hoje.
Mais seguro. Mais fácil. Menos interessante.

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."
Clarice Lispector

Pôr-do-sol em Americana. Última semna de 2005. Quase sono.

sábado, janeiro 07, 2006

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O sono já veio. Está nas minhas pálpebras cansadas. Mas lerdo como é, demora a conjugar o verbo dormir. Bocejos.
Mergulho o sachê do chá de camomila na água fervente e sem açúcar. Ter uma alimentação mais saudável é a meta número sete para 2006. Junto com o sono o vapor da xícara-azul-xadrez envolve o ambiente. E, um caleodoscópio de divagações se solidifica.
***
Queria aprender a costurar. Queria fazer almofadas verde-limão-com-margaridas-brancas para o meu quarto. Queria saber ler dinamicamente dez milhões de palavras/segundo. Queria ser mais inteligente. Queria reger as palavras com a mesma maestria da Clarisse (Lispector). Queria fazer as pazes com o tempo. Queria aproveitar meu dia com coisas eternas. Queria acordar nas férias antes do meio dia. Queria ter uma rede preguiçosa no quintal de casa.Queria ser menos curiosa com a vida alheia. Queria ser pontual. Queria tocar violão. Queria compor melodias em uma flauta transversal. Queria que meus dedos encantassem os ouvidos ao lidar com as cordas de um violino. Queria não ter tanta preguiça para tocar teclado. Queria ser menos bicho-do-mato. Queria ser menos sistemática. Queria ser mais engraçada. Queria demonstrar o quanto as pessoas são importantes para mim. Queria dedicar cada minuto da minha vida a Deus, de verdade. Queria correr não porque os ponteiros do relógio correm mais rápido. Queria correr na chuva em busca do arco iris. Queria ter margaridas na minha janela. Queria olhar somente para o Céu. Queria dar biotônico fontoura pra menininha de cachinhos volumosos e riso fácil que ainda mora em mim.
Queria que meus neurônios pousassem logo no tempo ciclico dos sonhos. Não aguento mais estas pálpebras.

domingo, janeiro 01, 2006

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Entre fogos, contagens regressivas e orações, 2006 nasceu. Nasceu como um caderno novo de 365 páginas em branco ávidas por cores. Ávidas por vida. Em minhas mãos a responsabilidade de preenchê-los. Colorir os dias já sonhados por Aquele que é a fonte da vida.

"Os dias são como uma planta que seca e murcha sua flor. O tempo passa como mil anos em um dia.
E lá se vai a vida inteira a tôa.
E assim escoam os nossos dias, enqto é dia.
Os dias são como a fumaça que passa.
O vento já soprou.
O tempo passa como uma brisa.
Quero entregar a minha vida inteira pra te servir enquanto é dia.
Sete dias da semana eu quero andar com Deus.
Trinta dias, lá vai mais um mês.
Mais vale um dia em Teu átrios do que mil em outro lugar."
( Zé Bruno - Banda Resgate)