“Os personagens não nascem de um corpo materno como os seres vivos, mas de uma situação, uma frase, uma metáfora que contém em embrião uma possibilidade humana fundamental que o autor imagina não ter sido ainda descoberta ou sobre a qual nada de essencial ainda foi dito”(Milan Kundera, em “A insustentável Leveza do Ser” – página 251)
Meu nome é talita. Ex viciada no arquétipo perfeito de redação perfeita para ingressar num mundinho para poucos não perfeitos.Introdução. Argumentação. Conclusão. Citações. Muita pompa e nenhuma alma.O romance com as palavras fadado ao marasmo.
Mas, aquele dia de greve, brisas e ipês (do post anterior) contemplou a desintoxicação. A redescoberta do prazer da escrita. O nascimento da talita-personagem-autora deste blog.
Depois do amarelo feito em flor.
Cheiros, cores, formas, sons. O vivivel em meus poros, na corrente sanguínea. Sendo expelidos pelos dedos destros. Dedos guias de uma caneta BIC no desenho de letras gordinhas de contentamento. No desenho da talita sensível ao simples das coisas.E assim, os instantes comuns tatuados na memória poética sob holofotes. A talita vinda de um ipê bailando nas palavras desta esfera azul que rodopia pela Via Láctea.



